O PAPEL DO ESTADO NA CULTURA
Isabel Pires de Lima, a ainda ministra da cultura em Portugal, vai estar hoje à noite na Casa Fernando Pessoa a perorar sobre o assunto em epígrafe.
Provavelmente, poderia resumir o seu discurso a "Comer e Calar". Não há grande diferença entre a actual equipa do ministério e a presidência de Américo Tomás no antigo regime. Salazar mandava e o homem vinha cortar fitas, dar a cara e apoiar a desgraça.
Pode ser que alguém pergunta à senhora se ela tem consciência que o reprovável na actuação do seu gabinete não é ter reduções no orçamento mas sim não dar aos agentes da cultura qualquer ideia que possa reequilibrar o processo. Limita-se a acenar que sim a Sócrates (que remédio), a gerir dossiers que vinham do tempo da inenarrável Teresa-Cansada-da-Guerra-Caeiro e a meter os pés pelas mãos. O desalento causado entre aqueles que lutam todos os dias para se manter vivos e afastar o país das trevas é cada vez maior.
Creio sinceramente que deste lado do Atlântico também sofremos de desilusão lulista. E, para fazer rima, sem fim à vista.
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